Educação de Surdos

Dr. Amândio Coutinho e Dr.ª Maria Augusta Amaral

Homenagem a dois ilustres Doutores,

que tanto fizerem pelo Ensino de Surdos e pela Língua Gestual Portuguesa.

 

  

"Ainda a propósito do Dia Nacional da LGP, gostaria de lembrar aqui alguém que, embora sendo ouvinte, teve um papel crucial no reconhecimento da Língua Gestual Portuguesa. Estou a referir-me a Maria Augusta Amaral, doutorada em Linguística Aplicada pela Faculdade de Letras de Lisboa, investigadora na área da linguística da Língua Gestual Portuguesa e da educação bilingue para alunos surdos e directora do Instituto Jacob Rodrigues Pereira entre 1992 e 2007. Juntamente com Amândio Coutinho, Maria Augusta Amaral fez parte do grupo de trabalho que levou ao reconhecimento da LGP pela Constituição Portuguesa.

Nos anos 80 do século passado, Maria Augusta Amaral começou a ir a Congressos Internacionais sobre linguística das diversas línguas gestuais existentes no mundo e ficou admirada com o que já existia de investigação nesta área. Ficou extasiada ao constatar que nesses congressos, os surdos tinham um discurso como qualquer pessoa ouvinte, quando ela estava habituada a que, aqui em Portugal, as crianças surdas não passassem de um patamar muito baixo. Ficou tão surpreendida que começou a pensar que em Portugal as coisas também teriam de mudar. Pensou: “Eu tenho mesmo é que me dedicar à investigação em Língua Gestual”. Juntamente com Amândio Coutinho, pediu ao então director do Instituto Jacob Rodrigues Pereira, se os podia deixar concorrer a uma bolsa para fazer investigação sobre a Língua Gestual Portuguesa. O Director concordou, dizendo: “Sim senhor, acho muito bem que façam essa investigação, porque vocês vão provar que não há nenhuma língua gestual”. Com a colaboração da professora Raquel Delgado-Martins, Maria Augusta Amaral e Amândio Coutinho começaram a visitar várias universidades no estrangeiro, donde trouxeram bastante material para começar a reflectir sobre a Língua Gestual Portuguesa. E foi assim que se iniciou o trabalho de investigação que veio a dar origem ao relatório final do projecto “Para uma gramática da Língua Gestual Portuguesa”, porque não era uma gramática, apenas o início de um estudo, embora já focasse diversos aspectos da gramática da LGP. Este trabalho acabou por ser publicado em livro e até à data ainda não surgiu nenhum mais completo. Em 1992, Maria Augusta Amaral foi convidada para directora do Instituto Jacob Rodrigues Pereira e, em colaboração com a Associação Portuguesa de Surdos, aprofundou a investigação em LGP. Ela refere que os primeiros surdos adultos a quem disse: “Vocês têm uma língua”, lhe responderam: “Ah! Não é nada uma língua. É só gestos.” Mas ela convenceu-os a ir a congressos no estrangeiro, a ir a Gallaudet e aí todos constataram que ela tinha razão. E depois, todos em conjunto, surdos e ouvintes, decidiram formar uma comissão para lutar pelo reconhecimento da LGP. A comissão integrava elementos de várias áreas como já referimos no post anterior. Helder Duarte destacou-se à frente da comissão, a incentivar todos a participar, a unir esforços, a divulgar a luta junto da Comunicação Social. Maria Augusta Amaral, com o seu livro debaixo do braço, tinha a prova científica, o trabalho já tinha sido aceite pela universidade. Foram à Assembleia da República e já ninguém podia dizer que a LGP não era uma língua. A reivindicação foi aceite e constitui hoje um marco muito importante para a comunidade surda.

Deixo por isso aqui uma homenagem a todos os que fizeram parte desta comissão e em particular a Maria Augusta Amaral e a Amândio Coutinho. Se a investigação que levaram a cabo não tivesse sido feita, se calhar não estaríamos agora a comemorar o Dia Nacional da LGP."

 

Publicado por Maria do Céu Gomes

 

"A homenagem ao esforço e à luta que a Drª Maria Augusta Amaral e o Dr. Amândio Coutinho levaram a cabo pela comunidade surda e a sua língua, é mais que justa. Tive o prazer de trabalhar com os dois no Jacob Rodrigues Pereira. Foi um trabalho apaixonado com a procura constante de novas estratégias no ensino de surdos. Foi com eles que a educação bilingue dos alunos surdos começou no Instituto Jacob Rodrigues Pereira. Aqui fica o meu louvor." 
                                                                                                                                                                                                             

Publicado por Susana Sousa

 

Em relação ao livro “Para Uma Gramática da Língua Gestual Portuguesa” “As minhas respeitosas homenagens. É um livro muito bom e bem conseguido. Oxalá se seguisse esse caminho...”

Publicado por Isabel Correia

 

 

“ A Língua Gestual Portuguesa é reconhecida como língua da Comunidade Surda desde 1997. Todavia, se tal implicou um grande passo para o respeito e dignidade do Surdo e do seu veículo natural de expressão, muito ainda há a fazer no estudo e compreensão desta riquíssima língua visuo-espacial. É certo que não podemos esquecer importantes e bem estruturados contributos como os de Maria Augusta Amaral, Amândio Coutinho ou Raquel Delgado Martins.”

 

Publicado por Isabel Correia

“Para uma Linguística da LGP”

 

 

http://escoladereferencia.blogs.sapo.pt/54111.html

 
“ O maior contributo para a sociedade portuguesa de Maria Augusta Amaral, 61 anos, surgiu no dia em que decidiu ajudar os surdos a terem uma língua oficial, numa sociedade de ouvintes em que imperava a oralidade. "Olhava para os meus alunos e percebia que eles tinham a cabeça cheia, mas não sabiam falar e escrever. Eram crianças tristes, fartas das aulas em que nada aprendiam. Tudo isto mexeu muito comigo e decidi ajudá-los."

Revista Activa
http://activa.aeiou.pt/artigo.aspx?contentid=33181737-A25D-47A3-AED3-E5A070028876&channelid=84F5B53B-4CC5-46DD-AD43-87FF9228AA38

 

 

"O Dr. Amândio Coutinho é o galardoado do Prémio de Mérito Científico Maria Cândida da Cunha 2007. O prémio deve-se ao seu Projecto "A sequência narrativa em crianças surdas - influência do ambiente bilingue na aquisição da estrutura narrativa", 2006, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que a Comissão Científica de Análise considerou por unanimidade cumprir todos os requisitos previstos no Regulamento do Prémio." 

http://www.ajudas.com